E foi naquela madrugada, essa mesmo que você me deixou falando sozinha arrumou as sua coisas e foi embora, dizendo que nunca mais voltaria, foi nesta madrugada que eu achei no meio do nosso ex-guarda-roupa aquela foto nossa, aquela mesmo, que você costumava deixar dentro da sua gaveta, mas ao contrário do que você pensa eu não estava procurando, não estava procurando motivos para chorar, em plena madrugada, pois na madrugada o peito aperta mais, o coração fica menor e mais dolorido, parece que a escuridão da noite te deixa mais deprimente.
E por incrível que pareça foi também naquela madrugada que eu encontrei, aquele nosso colar do infinito sabe? Um que ficava no seu pescoço sempre, eu não o vi tirá-lo, não sei como estava ali, mas quando o enxerguei percebi que era pra sempre, e nunca mais, quero dizer percebi que naquela madrugada o amor da minha vida tinha ido para sempre, e que não voltaria nunca mais, aquela madrugada foi marcante, não como as outras marcadas por carícias, pelo calor do seu corpo, ou nossos beijos demorados, mas foi marcada como a madrugada mais solitária, pela frieza e escuridão, talvez a lua até iluminava exteriormente, mas no meu interior não, marcou também por ser a madrugada mais longa, parecia que o sol não nasceria, talvez o sol tenha demorado mais a nascer, pois a madrugada o avisou com uma simples brisa fria, que ele teria o dever de não só esquentar o dia, mas também o coração de alguém.
Aquela madrugada me trouxe á tona todos os problemas que com ele eu tinha conseguido superar, e o que me deixava mais inconformada é que foi exatamente em outra madrugada que nós nos encontramos, sentados na areia da praia, precisando um do outro, talvez a madrugada tenha atrapalhado o destino e apenas quis desfazer, mas agora eu peço-lhe, você mesmo que está querendo entrar aqui, quando for partir que não seja na madrugada.
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