domingo, 3 de março de 2019

Incertezas



       A dúvida é a maior formadora de histórias. Ao invés de pairar certezas, a verdade é que nossa vida é repleta de incertezas: “vou caminhar hoje ou não?”, “assisto esse filme ou aquele?”, “vou pra balada ou fico em casa?”. Se caso, só houvessem essas questões tudo seria mais simples, entretanto, mês passado eu estava apaixonada por você quase planejando o casamento e hoje percebi que o melhor é terminar tudo. Sinceramente, tem uma semana que estou pensando só nisso, então, vai acontecer em algum momento. Não pense que não tenho sentimento, tenho até demais por entender que você merece alguém muito melhor que eu. Ou talvez eu não tenha mesmo, mas você sempre soube disso e não pode reclamar.
    Sei que seu orgulho não te deixará chorar ou emitir alguma frase demonstrando saudade, você não faz isso nem agora, imagine após o término, mas eu te entendo, só não quero viver assim e acredite eu tenho essa escolha. O universo conspirou para tudo, desde nossos encontros até nossas brigas e agora está quase me obrigando a te deixar. Você não tem ideia como tem um peso em mim ou talvez tenha tanta ideia que sente esse peso também. Te senti frio essa semana inteira e agora anda me dizendo que não pretende continuar na cidade que moramos, pode ser uma impressão minha, mas percebi você quase terminando comigo ou desejando que eu o fizesse.
Escrevo isso com lágrimas nos olhos, porque me conheço e estou em fase de preparação.        A liberdade pode ser perigosa se não houver um preparo anterior. A dúvida percorre por todo meu corpo, me corroendo por dentro, ao ponto da minha alma pedir um pouco de paz. Ainda imagino que se esforçássemos poderíamos ser felizes, mas queremos esforçar? Tenho certeza que não adianta se não for recíproco. O fato é que sempre é dolorido colocar até uma vírgula, imagine um ponto final. Vou aguentando aqui até olharmos nos olhos um do outro pra entendermos se virou realmente dúvida, aquilo que um dia foi a certeza mais bonita que encontrei.

23 de Janeiro de 2019

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Lembro de você


       


      Lembro de você. 2016. Sala de aula. Sabe que é impressionante como tem tempo “isso”?! Começou do nada, nem eu vi. Talvez, algumas trocas de olhares, alguns assuntos compartilhados. Assim foi o início da nossa história. “Nossa história” ficou muito forte né?! Mas resolvi chamar assim, para que sejamos levados à sério pelos leitores, mesmo você não me levando. Falou que gostava de mim e eu acreditei, cara, eu acreditei. Além disso, gostei de você também, mesmo indo contra minhas próprias regras.
          Lembro de você. 2017. Foi pra outro país. Me deixou, mesmo nunca estando comigo. Fazia parte da minha rotina o seu “bom dia” e nossas conversas, adorava saber tudo, até porque você me viciou desse jeito, intensificou todo sentimento, deixei minhas benditas regras de lado por você. Mas num belo dia, eu despertei para a realidade. Acordei e vi uma postagem de um buquê de flores, estava tão lindo, palavras tão perfeitas, foi então que caiu a ficha que seu coração já tem nome, sobrenome e aliança. Entendi a vida real e desejei que não fosse tão real assim. Imaginei que todo aquele sentimento era mentira, me refiz, me convencendo que eu merecia mais do que apenas umas borboletas no estômago por receber mensagens suas. Parou aí. Pensei que teria acabado, nunca imaginei que escreveria um texto pra você, mas olha eu aqui com muita coragem, escrevendo e te imaginando lendo isso com um sorriso de lado, se não tiver, coloque-o por favor.
       Em 2018 prometi que nada disso nunca mais aconteceria, mas você não tem ideia do efeito que você causa em mim, ou talvez tenha. Desde o friozinho na barriga, até sorrisos ao ler suas mensagens. Me impressiona o jeito que você me trata, seu interesse em ler meus textos, em conversar comigo mesmo que estejamos sem assunto. Você sabe como me conduzir, mesmo não me conduzindo. E eu adoro isso. Talvez você não soubesse metade das coisas descritas aqui e ficou surpreso com a descoberta, ou talvez você é o cara que eu penso que seja e está rindo do meu texto meloso nesse momento. Não imaginou que “isso” teria ido tão longe né? Agora, pleno 2019. Estamos aí com “isso” que só a gente tem, talvez, só eu.